Operaçāo Sem Desconto: PF faz 48 indiciamentos; Conafer se manifesta

Operaçāo Sem Desconto: PF faz 48 indiciamentos; Conafer se manifesta

Foto: STF

Martha Imenes

A Polícia Federal finalizou o primeiro inquérito da Operação Sem Desconto, que apura supostas fraudes relacionadas a cobranças não autorizadas em aposentadorias e pensões pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e indiciou 48 pessoas. 

O grupo é investigado por crimes de inserção de dados falsos em sistema de informações, corrupção passiva, corrupção ativa, promoção, constituição, financiamento ou integração de organização criminosa, além de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, segundo a Polícia Federal.

As defesas de parte dos investigados refutaram as acusações e informaram que somente irão se manifestar após a entrega do relatório entregue ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com o relatório da PF, as irregularidades investigadas podem ter causado um prejuízo estimado em cerca de R$ 6 bilhões aos segurados. Esse valor, entretanto, causa polêmica: a própria Controladoria-Geral da União (CGU), que produziu o levantamento que balizou a operação, retificou as informações veiculadas em sua página oficial e apontou que R$ 6,3 bilhões são transferidos à receita por todas as entidades que detinham Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o INSS de 2019 a 2024, e não ao montante da suposta fraude.

Uma fonte próxima às investigaçōes chamou atençāo para o número de pessoas entrevistadas pela CGU: em 35,3 milhões de aposentadorias e pensões pagas pelo INSS em maio de 2024, havia 7,7 milhões de descontos associativos no período. A pesquisa da CGU ouviu apenas 1,27 mil pessoas (0,016%). Na época cerca de 40 entidades pertencentes ao ACT com o INSS. “Os números pōem em xeque a metodologia e as classificações utilizadas no estudo que balizou a operação da Polícia Federal”, disse uma fonte.

Foco

Os primeiros pedidos de indiciamentos focaram nas pessoas que se concentraram, segundo a PF, ligadas à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil (Conafer). Dados da Controladoria-Geral da União (CGU) apontam que a Conafer tinha 676.931 associados em abril de 2024. Deste total, 56 pessoas foram entrevistadas e declararam não ter autorizado o desconto. A entidade se posicionou sobre os indiciamentos e manifestou preocupação em relação à cláusula prévia. 

Segundo a assessoria da Conafer é preciso observar a "distinção jurídica entre investigação, indiciamento, acusação formal e denúncias, assegurando espaço adequado para o contraditório e evitando que hipóteses investigativas sejam apresentadas à sociedade como fatos definitivamente comprovados". Confira a nota oficial na íntegra abaixo.

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