Nova medida para acelerar análise de benefícios do INSS divide opiniões

Nova medida para acelerar análise de benefícios do INSS divide opiniões

28 de Outubro de 2025

Aprovada pela Câmara dos Deputados, a Medida Provisória 1296/25 criou o Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB), que prevê o pagamento adicional a servidores do INSS e peritos médicos por cada processo de benefício previdenciário ou assistencial analisado. A iniciativa tem como objetivo acelerar a análise de milhares de pedidos acumulados, mas vem gerando reações divergentes entre especialistas da área. No entanto, por falta de recursos, o programa está parado.

Com orçamento previsto de R$ 200 milhões, o programa estabelece bônus entre R$ 68 e R$ 75 por processo revisado, dentro de um prazo inicial de 12 meses. Para a advogada previdenciarista Carla Benedetti, mestre e doutoranda em Direito pela PUC-SP, embora o programa seja uma resposta rápida ao acúmulo de demandas, ele não atinge o cerne do problema.

“A medida é uma tentativa de resposta a um colapso que se arrasta há anos. No entanto, ela atua apenas na superfície, oferecendo uma solução paliativa para um problema que é estrutural”, afirma a advogada. “Os servidores do INSS enfrentam sobrecarga, falta de investimento, e agora serão estimulados a produzir mais com foco em metas, o que pode comprometer a qualidade das análises.”

Entre os processos priorizados estão aqueles com prazos judiciais vencidos, perícias médicas com agendamentos superiores a 30 dias e análises sociais para acesso ao BPC (Benefício de Prestação Continuada). Segundo Carla Benedetti, a preocupação maior está justamente nos casos que exigem uma abordagem humanizada e multidisciplinar.

“Estamos lidando com situações delicadas, como o reconhecimento do direito ao BPC, que envolve uma avaliação biopsicossocial rigorosa. Em um ambiente pressionado por produtividade, o risco de decisões precipitadas aumenta”, alerta.

Outro ponto criticado pela especialista é o fato de os valores pagos pelo programa não integrarem a remuneração fixa dos servidores nem serem contabilizados para fins previdenciários. “Isso cria uma remuneração paralela, que não fortalece as carreiras e ainda pode gerar desequilíbrios internos. É uma forma de apagar incêndios sem repensar a estrutura do INSS”, explica Carla.

Apesar disso, a advogada reconhece aspectos positivos na medida, como a criação de um comitê de acompanhamento com representantes de diferentes ministérios. Para ela, a transparência e o monitoramento serão fundamentais para evitar distorções.

“O ideal seria investir na reestruturação permanente do órgão, com concursos, valorização dos profissionais e uso inteligente da tecnologia. O cidadão que aguarda um benefício está lidando com urgências reais. Cada processo representa uma vida que não pode esperar”, conclui.

Compartilhar