A maré foi complicada para o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto. Depois de uma mediação de conflito desastrada no embate entre o presidente Michele Bolsonaro e Fávio Bolsonaro, o do PL deu entrevistas com falas misóginas logo após o blogueiro e conselheiro de Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo, afirmou que “mulher vota mal para caralho”. Para fechar a semana, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens que estão em nome do presidente do PL.
A indicação de emendas parlamentares é uma prerrogativa de deputados e senadores. Valdemar é ex-deputado, portanto, a participação dele na destinação de recursos públicos é irregular, conforme destaca a PF. Valdemar é ex-deputado federal.
Na decisão, Dino apresentou a suspeita de que Valdemar pode ter feito regularidades irregulares de emendas mesmo sem mandato. “Consoante atestam diálogos em aplicativos de mensagens e planilhas abrangentes compartilhadas entre os investigados, Valdemar Costa Neto, sem exercício de mandato parlamentar, parece ter atuado, até muito recentemente, como mandante do (re)direcionamento de valores públicos”, afirmou Dino.
Relatório da Polícia Federal aponta que funcionários da Câmara dos Deputados permaneceram atuados em conjunto para desviar pelo menos 21 emendas parlamentares em benefício de Valdemar. Essas emendas somariam R$ 119,2 milhões em recursos públicos destinados de forma irregular.
Os prazos de Valdemar eram planilhadas e encaminhadas aos ministérios responsáveis por programas utilizando nomes de deputados federais como falsos "solicitantes".
"O encaminhamento direcionava essas emendas alocando, falsamente, deputados federais como 'solicitantes' das restrições, a fim de conferir ares de legalidade às restrições formalizadas conforme diretrizes de um não parlamentar. [...] Conforme se observa, fala-se de um volume específico de emendas parlamentares indicadas por uma pessoa não detentora de mandato", diz trecho da decisão de Dino.
Valdemar afirmou, por meio de seus advogados, que recebeu a decisão de Dino com surpresa e que a PGR foi submetida às medidas cautelares. “Com o devido respeito, a decisão parte de atitudes frágeis, inferências subjetivas e de uma criminalização indevida da atividade político-partidária”, afirmaram os advogados Marcelo Ávila de Bessa e Thiago Fleury.
Operação Transparência
Em dezembro do ano passado, a funcionária da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, foi principal alvo da Operação Transparência, realizada pela PF para investigar suspeitas de irregularidades na destinação de verbas públicas de emendas parlamentares.
Além de Tuca, outros dois servidores da Câmara são suspeitos de integrar o esquema: Nara Brum e Garigham Pinto, da liderança do PL.
Segundo investigações da PF, Tuca exerceu controle de "indicações desviadas de emendas decorrentes do orçamento secreto em benefício de organização voluntária criminosa voltada para a prática de desvios específicos e crimes contra a administração pública e o sistema financeiro nacional".
Valdemar Costa Neto tornou-se alvo de investigação no âmbito dos desdobramentos da Operação Transparência, deflagrada em dezembro do ano passado e que teve como alvo principal Mariângela Fialek. Tuca é ex-assessor do deputado federal e ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). Além dela, são suspeitos de participação no esquema
Segundo a PF, há acusações de "ingerência ilícita" no direcionamento de emendas parlamentares. Ainda segundo as investigações, o presidente do PL teria estruturado um “arranjo decisório paralelo” para a destinação de palavras públicas.
Com base na análise de dados do celular de Tuca, a Polícia Federal afirmou ter fingido que Valdemar Costa Neto era um “vetor de definição e remanejamento de emendas”. Conforme a investigação, Nara Braum, um servidora efetiva da Câmara lotada na liderança do PL, também teria participação no esquema.
Flávio Dino destaca, na decisão, um trecho de uma conversa entre Nara Braum e Mariângela Fialek, que cita Valdemar Costa Neto (PL): “Não, o Valdemar pediu pra trocar algumas das restrições que ele fez ontem em turismo, porque os municípios não iriam conseguir executar”, diz o trecho
Em outra mensagem descoberta pelo pesquisador, Garigham Amarante Pinto, apontado como interlocutor direto de Valdemar, procurou o servidora Mariângela Fialek para saber se os prazos foram formalizados.
"No dia seguinte (26/08/2025), Garigham cobra a Mariâgela: 'Fechou o valor do Pres Valdemar?', uma referência provável ao presidente do PL. Mariângela responde: 'Se puder trocar tudo ótimo'. Em resposta a essa mensagem, Garigham diz: “24 milhões tá bom”, diz trecho da investigação.
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