Em depoimento à PF, Vorcaro nega ligação com grupo investigado e pede fim de prisão preventiva

Em depoimento à PF, Vorcaro nega ligação com grupo investigado e pede fim de prisão preventiva

Foto: Reproduçāo/PF

01 de Outubro de 2026

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) na quarta-feira (30) e negou qualquer participação em ações violentas ou de intimidação atribuídas aos grupos conhecidos nas investigações como "A Turma" e "Os Meninos".

Segundo seus advogados, Vorcaro afirmou aos investigadores que não integra nem conhece qualquer organização com essas denominações. Em nota, a defesa argumentou que o acesso integral aos autos reforçou o entendimento de que os termos mencionados nas apurações não identificam grupos estruturados ou organizações criminosas.

"Com o efetivo acesso da Defesa ao inquérito que investiga a suposta existência de grupos como 'A Turma' ou 'Os Meninos', ficou comprovado que tais expressões jamais designaram grupos específicos ou estruturas organizadas, evidenciado que não há qualquer tipo de ilicitude ou prática criminosa que possa ser atribuída a Daniel Vorcaro", afirmou a defesa.

A existência dos grupos foi identificada pela PF a partir de mensagens extraídas do celular do próprio empresário. Posteriormente, o material investigativo foi ampliado com informações obtidas em aparelhos do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, apontado como um dos alvos da investigação.

Quando determinou a prisão de Vorcaro, o então relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, descreveu "A Turma" como uma estrutura voltada ao monitoramento de pessoas de interesse do grupo investigado e à prática de atos de coação e intimidação contra concorrentes, ex-funcionários e jornalistas.

Contrato de inteligência e segurança digital

Durante o depoimento, Vorcaro reconheceu conhecer apenas Luiz Phillipi Mourão, conhecido como "Sicário". De acordo com a defesa, a relação entre os dois era profissional e formalizada.

Segundo os advogados, o empresário informou à PF que mantinha com Mourão um "contrato formal e lícito de prestação de serviços de inteligência e segurança digital".

Mourão chegou a ser preso em uma fase anterior da Operação Compliance Zero. Posteriormente, morreu enquanto estava custodiado em uma unidade da Polícia Federal em Belo Horizonte.

Defesa critica manutenção da prisão

Os advogados de Daniel Vorcaro voltaram a questionar a manutenção da prisão preventiva do empresário. A defesa sustenta que os fundamentos que justificaram a medida cautelar não permanecem presentes e argumenta que não existe risco concreto para as investigações.

Em nota, os representantes do ex-banqueiro afirmaram que não houve qualquer ameaça real a terceiros e classificaram como descontextualizadas as interpretações feitas sobre mensagens privadas analisadas pela investigação.

"Eventuais desabafos, oriundos de recortes maliciosos de mensagens privadas, proferidos em momentos de indignação, jamais redundaram em consequências práticas ou em qualquer risco real a terceiros, o que fica comprovado na própria sequência completa das mensagens, na realidade fática verificada e no perfil pacífico de Daniel Vorcaro", declarou a defesa.

A equipe jurídica também protocolou pedido de soltura, alegando que a prisão preventiva, que segundo os advogados já se estende há oito meses, não encontra mais justificativa processual.

Segundo a defesa, liderada pelo advogado Jeffrey Chiquini, "não resta dúvida de que os motivos que ensejaram a prisão não mais persistem".

Pai de Vorcaro também depõe

O pai do empresário, Henrique Vorcaro, também foi ouvido pela Polícia Federal na quarta-feira. Em depoimento, negou ser o articulador do grupo denominado "A Turma" e afirmou ter mantido apenas relações comerciais com alguns dos investigados mencionados pela PF.

Em nota, a defesa de Henrique Vorcaro também criticou a manutenção da prisão preventiva. Os advogados alegam que ainda existem pedidos pendentes de análise no STF e afirmam que requerimentos apresentados anteriormente ao ministro André Mendonça, quando ele ainda atuava como relator do caso, não teriam sido apreciados.

O caso continua sob investigação da Polícia Federal e tramita sob supervisão do Supremo Tribunal Federal. Até o momento, não há condenação definitiva dos investigados.

Compartilhar