Democratas dos EUA cobram fim de interferência de Trump no Brasil

Democratas dos EUA cobram fim de interferência de Trump no Brasil

26 de Setembro de 2026

Um grupo de 31 parlamentares do Partido Democrata dos Estados Unidos enviou, nesta quinta-feira (24), uma carta ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, na qual critica ações do governo de Donald Trump em relação ao Brasil e afirma que Washington não deve interferir no processo eleitoral brasileiro.

No documento, os congressistas classificam como preocupante o que chamam de um esforço coordenado da administração Trump para pressionar o Brasil às vésperas da eleição presidencial prevista para outubro de 2026. Segundo eles, essas ações poderiam comprometer a aliança estratégica entre os dois países e enfraquecer a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental.

Os parlamentares democratas acusam o governo norte-americano de adotar medidas que favoreceriam politicamente o senador Flávio Bolsonaro, apontado na carta como representante da extrema direita e aliado de Trump. Entre as iniciativas mencionadas estão a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e decisões que, segundo os congressistas, teriam como objetivo influenciar o cenário político do país.

O documento também cita a nomeação de Darren Beattie para atuar em assuntos relacionados ao Brasil. Os parlamentares afirmam que Beattie possui histórico de posições extremistas e lembram que sua entrada no Brasil teria sido negada quando tentou visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, em março.

Na avaliação dos democratas, a postura da atual administração contrasta com a adotada pelo governo de Joe Biden durante as eleições brasileiras de 2022. Na ocasião, os Estados Unidos manifestaram apoio ao sistema eleitoral brasileiro e reconheceram o resultado das urnas.

Os congressistas argumentam que as medidas da gestão Trump representam uma forma de pressão diplomática, econômica e política que pode enfraquecer instituições democráticas, reduzir a confiança da população no processo eleitoral brasileiro e prejudicar as relações bilaterais entre os dois países.

A carta também aponta que as ações em relação ao Brasil fariam parte de um padrão mais amplo de interferência norte-americana em processos eleitorais recentes na América Latina. Como exemplos, os parlamentares mencionam episódios relacionados a eleições na Colômbia, Honduras e Argentina.

Além das críticas, os democratas solicitaram esclarecimentos sobre diversas medidas adotadas por Washington, entre elas a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a classificação das facções criminosas Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas e a revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti.

No documento, os parlamentares também pedem que o governo dos Estados Unidos assuma o compromisso de respeitar o processo eleitoral brasileiro, reconhecer o resultado das urnas e manter relações diplomáticas regulares com o vencedor da disputa presidencial, independentemente de sua orientação política.

Durante discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, na terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também abordou o tema da soberania nacional e criticou tentativas de influência externa em processos políticos. Sem citar diretamente os Estados Unidos, Lula afirmou que o mundo volta a presenciar episódios de ingerência estrangeira em eleições e investidas classificadas por ele como neocoloniais, mencionando ainda situações recentes observadas em países da América Latina e do Caribe, como Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba.

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