CNJ manda cancelar R$ 4,7 bilhões em precatórios negociados com o Banco Master

CNJ manda cancelar R$ 4,7 bilhões em precatórios negociados com o Banco Master

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

23 de Setembro de 2026

O corregedor nacional de Justiça, Benedito Gonçalves, determinou nesta quarta-feira (23) o cancelamento de precatórios de usinas do setor sucroalcooleiro negociados com o Banco Master, avaliados em cerca de R$ 4,7 bilhões.

A decisão foi tomada após pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), que questionou atos do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Segundo a AGU, os valores referentes a 16 precatórios foram depositados em contas judiciais antes do trânsito em julgado das ações que reconheceram a dívida da União.

Na decisão, o corregedor destacou que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já havia determinado anteriormente o cancelamento de precatórios expedidos sem decisão definitiva da Justiça.

“Mais de um ano depois da ordem de cancelamento, esses requisitórios continuam registrados como precatórios bloqueados, com R$ 4,7 bilhões mantidos em contas judiciais”, afirmou Benedito Gonçalves.

Caso ganhou repercussão após investigação

O caso dos chamados “precatórios bilionários” do Banco Master ganhou destaque após reportagem do portal Metrópoles revelar a existência de um contrato de R$ 427 milhões entre a instituição financeira e o escritório da advogada Camilla Ramos.

O pagamento estaria condicionado ao êxito em processos relacionados aos créditos de usinas do setor sucroalcooleiro. Camilla é esposa do desembargador Newton Ramos, integrante do TRF-1.

O contrato foi encontrado pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, durante as investigações.

Escritório nega recebimento de valores

Em nota, o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz e Ramos confirmou a existência de contrato com o Banco Master para atuação em processos envolvendo precatórios, mas negou ter recebido qualquer pagamento relacionado ao acordo.

“O escritório esclarece também que a taxa de êxito acordada com o banco para atuação nos casos de processos envolvendo precatórios foi de 5%, patamar inferior ao previsto no CPC e no Estatuto da OAB”, informou a banca.

Mensagens citaram ministro do STF

As investigações também revelaram mensagens em que assessores ligados a Daniel Vorcaro afirmavam que a advogada Camilla Ramos e o desembargador Newton Ramos seriam da chamada “Turma do KN”, em referência ao ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Após a divulgação das conversas, o ministro afirmou que nunca trocou mensagens com Vorcaro e que não autorizou qualquer pessoa a falar em seu nome.

Com a nova decisão do CNJ, os precatórios permanecem cancelados e os valores, que continuam depositados em contas judiciais, seguem sob análise da Justiça.

Com informações da Agência Brasil

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