Checagem ao vivo marca debate da GloboNews entre Lula e Flávio Bolsonaro; veja as principais propostas e verificações

Checagem ao vivo marca debate da GloboNews entre Lula e Flávio Bolsonaro; veja as principais propostas e verificações

24 de Outubro de 2026

Por Martha Imenes

Pela primeira vez em um debate presidencial, equipes de checagem de fatos atuaram em tempo real durante a transmissão televisiva. A iniciativa reuniu organizações como Agência Lupa, UOL Confere, Estadão Verifica, g1, ICL Notícias, Mídia Ninja, entre outras, para analisar declarações dos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no debate de segundo turno exibido pela GloboNews.

A adoção do modelo ocorreu após a repercussão negativa do debate anterior, realizado pela Band, marcado por embates pessoais e questionamentos sobre a falta de discussão de propostas. A pressão por um sistema de verificação ao vivo ganhou força nas redes sociais, impulsionada por um abaixo-assinado que ultrapassou 1 milhão de assinaturas e contou com o apoio de artistas, influenciadores e entidades ligadas ao jornalismo.

A experiência de checagem em tempo real se tornou um dos principais destaques do debate. As verificações exibidas durante a transmissão buscaram fornecer contexto imediato para afirmações de ambos os candidatos, reduzindo o impacto da circulação de informações enganosas nas redes sociais.

Ao longo do confronto, temas como economia, segurança pública, combate à fome, infraestrutura, direitos das mulheres, apostas esportivas, agronegócio e responsabilidade fiscal dominaram a discussão. A atuação simultânea das agências de checagem também evidenciou que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro tiveram declarações consideradas verdadeiras em alguns momentos, mas também apresentaram informações imprecisas ou contestadas pelos verificadores.

Selos de checagem da Lupa

De acordo com a checagem da Agência Lupa divulgada no Instagram que destacou 13 afirmaçōes dos dois candidatos, Lula recebeu dois selos de "falso" e Flávio, 6. Um ponto observado nos critérios foi o selo de "insustentável": nesse quesito Flávio obteve seis selos e Lula nāo teve esse tipo de avaliaçāo. Em contrapartida, na avaliaçāo classificada como "fora de contexto", Lula levou 3 selos e Flávio, um. 

O selo de "verdadeiro"foi aplicado duas vezes na checagem de Flávio Bolsonaro e na de Lula, 5 vezes. Houve ainda os quesitos "superestimado", "exagerado" (1) e "subestimado" (2) na fala de Lula, e uma vez foi marcado "exagerado" para Flávio.


Lula aposta em valorização salarial

Durante o debate, Lula destacou ações voltadas ao combate à fome, recuperação de obras públicas, valorização do salário mínimo e crescimento econômico.

Entre as principais propostas defendidas pelo petista estiveram:

  • Manutenção da política de valorização real do salário mínimo;
  • Ampliação dos programas sociais e de combate à fome;
  • Continuidade da retomada de obras públicas;
  • Expansão dos investimentos em infraestrutura;
  • Fortalecimento do Plano Safra e do crédito para produção agrícola;
  • Ampliação de políticas de proteção às mulheres;
  • Regulamentação e fiscalização mais rígida do mercado de apostas esportivas.

Ao defender a retomada de obras públicas, Lula citou a redução do número de empreendimentos paralisados em relação ao último ano do governo Bolsonaro. A checagem indicou que o número de obras paradas caiu de 8,6 mil em 2022 para cerca de 4,2 mil em 2026, embora levantamentos do TCU considerem diferentes metodologias e períodos de análise.

Sobre o combate à fome, Lula afirmou que o Brasil saiu do Mapa da Fome durante os governos petistas. A checagem confirmou a retirada do país da lista da FAO em 2014, embora tenha corrigido a data mencionada pelo candidato, que havia citado 2012.

Na área econômica, verificadores confirmaram que o país registrou recorde histórico de exportações em 2025. Por outro lado, uma declaração do presidente sobre o superávit comercial foi considerada imprecisa porque o valor citado correspondia a uma projeção em dólares e não a um resultado já alcançado.


Flávio prioriza segurança pública

Flávio Bolsonaro concentrou sua participação em propostas ligadas à segurança pública, combate ao crime organizado, obras de infraestrutura e críticas à gestão econômica do atual governo.

Entre os compromissos apresentados pelo candidato do PL estão:

  • Reforço do combate ao crime organizado;
  • Ampliação da fiscalização nas fronteiras;
  • Investimentos em infraestrutura logística, incluindo a BR-319;
  • Medidas para redução do custo de vida;
  • Incentivos ao agronegócio;
  • Ampliação de políticas de proteção às mulheres.

Ao defender investimentos na BR-319, Flávio destacou a importância da rodovia para a integração da Região Norte. A checagem mostrou que a estrada foi construída ainda durante o regime militar e que etapas de recuperação ocorreram tanto nos governos Bolsonaro quanto Lula.

O senador também prometeu fortalecer ações voltadas às mulheres por meio da Casa da Mulher Brasileira. As equipes de checagem lembraram, porém, que o programa foi criado em 2013, durante o governo Dilma Rousseff, e já possui unidades em funcionamento no país.

Na área econômica, Flávio afirmou que o custo de vida aumentou durante o atual governo. As verificações apresentadas durante o debate apontaram que a inflação acumulada está abaixo da registrada durante a gestão Bolsonaro e que o país registra aumento real do salário mínimo e redução do desemprego.


Declarações de Lula que receberam correções

  • O Brasil saiu do Mapa da Fome em 2014, e não em 2012;
  • O crescimento do PIB acima de 3% não ocorreu apenas durante governos petistas;
  • O valor citado para o superávit comercial correspondia a uma projeção em dólares e não a um resultado consolidado.


Declarações contestadas de Flávio Bolsonaro

  • A acusação de que Lula não declara patrimônio à Justiça Eleitoral;
  • A afirmação de que o atual governo legalizou as apostas esportivas;
  • Alegações sobre financiamento de produções audiovisuais por Daniel Vorcaro sem provas públicas apresentadas;
  • Afirmações de que Lula defenderia facções criminosas;
  • Declarações sobre ausência de ações federais após as enchentes no Rio Grande do Sul;
  • Informações sobre a origem e expansão do Comando Vermelho no Nordeste.
  • Verificações também desmentiram a narrativa de que Lula teria defendido roubos de celulares para "tomar uma cervejinha", apontando que trechos de entrevistas antigas foram retirados de contexto e editados para alterar o sentido original das declarações.

 

 

 

 

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