O posicionamento foi enviado após a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a remoção do canal por suposto compartilhamento de conteúdos que já haviam sido considerados falsos pela Justiça Eleitoral. O pedido foi acatado pelo ministro Kássio Nunes Marques na manhã do dia 11 de outubro e revertido no mesmo dia pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral eleitoral do TSE.
Nesta segunda-feira (12), a área técnica do TSE afirmou que não foram encontrados os referidos conteúdos desinformativos no canal. A Lupa analisou as 721 mensagens enviadas no canal entre os dias 5 e 12 de outubro, até 11h48 desta segunda, e chegou à mesma conclusão. Não foram localizadas mensagens com desinformação relacionadas aos conteúdos apontados pela campanha de Flávio Bolsonaro, como supostas ligações do candidato com milícias e a retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, nem a qualquer outro tema de campanha.
A única menção à santa foi por meio de mensagens que pediam para integrantes do canal subirem a hashtag #LulaComAparecida no X. “Tá dando certo, a relação respeitosa de Lula com a fé das pessoas já é o assunto mais comentado do país em TODAS as redes sociais. Continuem criando conteúdos próprios sobre isso, não importa quantos seguidores vocês tem”, pediu o deputado no canal na manhã de 12 de outubro – Dia de Nossa Senhora Aparecida.
Além dessa, nos últimos dias o parlamentar também pediu que os seguidores subissem outras seis hashtags nas redes sociais (#EXERCITODOLULAEMCAMPO, #EXERCITODOLULACONTRACENSURA, #LULANAPAULISTA, #JANONESELULACENSURADOS, #OEXERCITODOLULAVEIOPRAFICAR e #DIREITATERRORISTA), nenhuma relacionada à campanha de Flávio Bolsonaro. O candidato do PL só foi mencionado diretamente em mensagens sobre o resultado do primeiro turno, pesquisas eleitorais e em críticas ao pedido de derrubada do canal.
Até a manhã desta segunda-feira, o foco do canal, que já soma mais de 3 milhões de seguidores, é justamente orientar pessoas a publicar conteúdos a favor da reeleição de Lula. Além das hashtags, o parlamentar também enviou áudios e vídeos com dicas e instruções para publicar e compartilhar conteúdos e obter mais engajamento nas redes sociais. Em 7 de outubro, Janones gravou um vídeo com o presidente Lula pedindo para as pessoas entrarem em seu grupo. Em seguida, orientou os integrantes do canal a curtir o vídeo, comentar e enviar para todos os contatos no Instagram e WhatsApp.
TSE alerta para “lógica de confronto”
Apesar da ausência de desinformação, a existência de orientações coordenadas para mobilizar seguidores e ampliar a circulação de conteúdos foi vista como um risco pela área técnica do Tribunal Superior Eleitoral. “Registra-se, ainda, nas mensagens examinadas, o emprego recorrente de uma linguagem polarizadora, que tende a estabelecer uma lógica de confronto potencialmente contrária à condição das eleições como um substitutivo do conflito”, diz o relatório.
O advogado eleitoral Fernando Neisser explica que canais de campanha em aplicativos de mensagem devem seguir as regras gerais para propaganda online, que proíbem o compartilhamento de desinformação, deepfakes e de mídias geradas por inteligência artificial sem rotulagem.
“A única coisa específica é a proibição de disparos em massa, que é entendido como aquele envio de mensagens para pessoas que não pediram para receber um certo conteúdo. Mas, como os integrantes do canal são inscritos, não há problema que milhões de pessoas estejam recebendo as mesmas mensagens, já que elas mesmas quiseram participar daquele espaço”, diz.
Canal de Flávio fez envio de fake sobre ato em SP
Da mesma forma que o canal “Exército do Lula” compõe a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) mantém no WhatsApp um canal chamado “Tropa do Flávio”, onde são enviados conteúdos de apoio à candidatura do senador à Presidência.
Nesta segunda-feira (12), o canal encaminhou a seus 1,4 milhão de integrantes uma imagem que mostra uma trabalhadora negra supostamente limpando pichações contra Jair Bolsonaro feitas em uma estação de metrô na Avenida Paulista durante manifestação a favor de Lula no último sábado. “No final a conta sobra pro trabalhador…”, dizia texto que acompanhava a imagem.
A Lupa desmentiu o conteúdo e identificou que a imagem foi gerada por inteligência artificial. A publicação viola duas normas da Justiça Eleitoral: a que veda o compartilhamento de desinformação e a que exige a sinalização em conteúdos sintéticos por parte das campanhas eleitorais.
Em setembro, reportagens da Lupa já haviam identificado o compartilhamento de desinformação e de conteúdos gerados por inteligência artificial no site oficial da campanha de Flávio Bolsonaro (PL).