23 de Setembro de 2026
A União Europeia (UE) e o Canadá anunciaram uma parceria inédita que pode elevar a relação entre os dois lados ao mais alto nível de cooperação. A iniciativa ocorre em um momento de atritos comerciais e diplomáticos com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Na última quarta-feira (16), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs que o Canadá se torne o primeiro membro associado da União Europeia. Segundo ela, a parceria não foi criada para enfrentar nenhum país específico, mas para fortalecer a cooperação entre aliados.
No dia seguinte, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, reforçou que o objetivo da aliança é aumentar a capacidade de resposta de seus parceiros diante de desafios globais, como ameaças à soberania nacional, à democracia e ao funcionamento dos mercados.
Apesar de evitarem citar diretamente os Estados Unidos durante os anúncios, as declarações foram vistas como uma resposta às políticas adotadas por Trump desde o início de seu mandato. O presidente americano criticou a iniciativa e classificou a proposta como "ridícula", além de ameaçar impor novas tarifas sobre produtos europeus.
As negociações entre Canadá e União Europeia começaram antes da recente guerra comercial entre Ottawa e Washington. Em agosto, os Estados Unidos anunciaram tarifas de 50% sobre diversos produtos canadenses, medida que provocou retaliações por parte do Canadá.
Além das disputas comerciais, declarações de Trump sobre transformar o Canadá no "51º estado americano" e sobre uma possível ocupação da Groenlândia também contribuíram para aproximar canadenses e europeus.
A proposta não transforma o Canadá em membro pleno da União Europeia, mas abre caminho para ampliar o acordo de livre comércio firmado entre as partes em 2016.
A parceria prevê maior cooperação em áreas consideradas estratégicas, como minerais críticos, indústria espacial, defesa, inteligência artificial, segurança energética e sistemas de pagamento.
Analistas avaliam que a aproximação entre Canadá e União Europeia não está relacionada apenas ao atual governo americano. A iniciativa também reflete preocupações de longo prazo com mudanças na ordem econômica mundial, o avanço da China e as dificuldades enfrentadas por instituições multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC).
A experiência também já desperta interesse na Europa para ampliar acordos semelhantes com outros países, entre eles Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Indonésia e Brasil.
A nova parceria sinaliza uma busca crescente por alianças entre potências médias para reduzir dependências e fortalecer sua posição diante das disputas econômicas e geopolíticas globais.