Brasileiros sonham com aposentadoria antes dos 60, mas realidade é outra

Brasileiros sonham com aposentadoria antes dos 60, mas realidade é outra

Mais da metade dos brasileiros ainda alimenta o desejo de se aposentar até os 60 anos, mas a realidade imposta pela reforma da Previdência de 2019 mostra que esse objetivo está cada vez mais distante. Segundo a 4ª edição da pesquisa Percepção dos Brasileiros sobre Proteção e Planejamento, encomendada pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) ao Datafolha, 59% dos entrevistados que permanecem no mercado de trabalho gostariam de parar nessa faixa etária. No entanto, 32% reconhecem que não conseguirão.

A principal barreira para a aposentadoria precoce é a reforma da Previdência, que estabeleceu idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 para homens. Para quem já estava no mercado antes da mudança, foram criadas regras de transição. Atualmente, dados do INSS apontam que o brasileiro se aposenta, em média, aos 61 anos.

Entre os já aposentados, a dependência da Previdência Social é quase absoluta: 92% afirmaram que o INSS é sua principal fonte de sustento. Já entre os que ainda contribuem, 65% não sabem quanto receberão no futuro. Dos que têm noção do valor, mais da metade acredita que o benefício não passará de um salário mínimo, hoje em R$ 1.621.

O levantamento, realizado entre 8 e 16 de julho com 1.908 pessoas em todo o país, revela que:

  • 11% acreditam que nunca conseguirão parar de trabalhar.

  • 12% não pretendem solicitar o benefício.

  • 28% acreditam que realmente vão se aposentar antes dos 60 anos.

 Ajuste no padrāo de vida

O estudo revela que grande parte dos brasileiros terá de ajustar o padrão de vida ao se aposentar. Mais da metade, 56%, acredita que será necessário cortar gastos para conseguir se manter, enquanto 25% esperam manter o estilo de vida atual e 16% temem não conseguir se sustentar com o benefício da Previdência.

As preocupações com o futuro também aparecem com força. Sete em cada dez entrevistados afirmaram ter medo da morte de um familiar, mas apenas 22% se preparam para essa possibilidade. Já 63% citaram o risco de doença grave como uma das principais inseguranças. Além disso, o acesso à saúde preocupa: 70% temem não ter dinheiro para atendimento médico, embora apenas 28% tenham tomado medidas preventivas, como contratar um plano de saúde.

Diante desse cenário, especialistas apontam que uma nova reforma da Previdência deve começar a ser discutida a partir de 2027. As propostas em debate sugerem elevar a idade mínima para 67 anos, igualando as regras entre homens e mulheres, o que pode tornar o sonho da aposentadoria ainda mais distante para muitos brasileiros.

Regras de transição da aposentadoria do INSS em 2026

Pedágio de 100%

  • Os segurados que estão na ativa podem se enquadrar na regra de transição do pedágio de 100%, que consiste em trabalhar e pagar o INSS por mais 100% do tempo que faltava para a aposentadoria na data de início da reforma —novembro de 2019
  • Se o trabalhador estava a dois anos do benefício por tempo de contribuição, por exemplo, que exige 30 anos de pagamentos ao INSS das mulheres e 35 anos, dos homens, deve trabalhar mais dois anos, somando quatro

Pontos

  • Há também a regra de transição por pontos, que determina o direito à aposentadoria ao atingir uma pontuação mínima, somando tempo de contribuição e idade. Em 2026, a pontuação será de 103 pontos para os homens e 93 para as mulheres
  • Os pontos sobem a cada ano, até chegar a 105 (homens) e 100 (mulheres) a partir de 2033. É preciso ter o tempo mínimo de contribuição de 35 anos e 30 anos, respectivamente

Pontuação mínima para se aposentar a cada ano

Ano Homens Mulheres
2019 96 86
2020 97 87
2021 98 88
2022 99 89
2023 100 90
2024 101 91
2025 102 92
2026 103 93
2027 104 94
2028 105 95
2029 105 96
2030 105 97
2031 105 98
2032 105 99
A partir de 2033 105 100

Idade mínima

  • Outra regra de transição válida é a da idade mínima para a aposentadoria por tempo de contribuição
  • Homens devem ter, no mínimo, 35 anos de contribuição ao INSS e mulheres, 30 anos na data do pedido
  • A idade mínima exigida deles é de 64 anos e seis meses e, a delas, 59 anos e seis meses. Essa idade sobe meio ponto a cada ano

Veja a idade mínima para se aposentar a cada ano

Ano Homens Mulheres
2019 61 56
2020 61 anos e 6 meses 56 anos e 6 meses
2021 62 57
2022 62 anos e 6 meses 57 anos e 6 meses
2023 63 58
2024 63 anos e 6 meses 58 anos e 6 meses
2025 64 59
2026 64 anos e 6 meses 59 anos e 6 meses
2027 65 60
2028 65 60 anos e 6 meses
2029 65 61
2030 65 61 anos e 6 meses
A partir de 2031 65 62

Professores

  • Os professores que já estavam no mercado de trabalho formal, em escola particular, podem se aposentar pela regra de transição, que também muda em 2026
  • Há duas opções: por pontos e por idade mínima
  • A diferença é que professores e professoras se aposentam com tempo mínimo menor do que os demais segurados
  • Na transição por pontos, eles devem cumprir o tempo mínimo de contribuição e atingir a soma necessária da idade e do tempo de contribuição. A pontuação será acrescida de um ponto a cada ano até atingir o limite de 100 pontos para mulher e 105 pontos para homem

    Veja como funciona:
  • Em 2026, a soma da idade e do tempo de contribuição é de 88 pontos para as mulheres e 98 pontos para os homens

  • O tempo mínimo de contribuição é de 25 e 30 anos, respectivamente

    Idade mínima:

  • Em 2026, a idade mínima de contribuição será de 54 anos e seis meses para mulheres e 59 e seis meses para os homens

  • O tempo de contribuição mínimo é de 25 e 30 anos, respectivamente

  • A idade aumenta seis meses a cada ano até atingir o limite de 57 anos para mulher e 60 anos para homem

Com informaçōes da Folha de Sāo Paulo

 

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