Bola no pé e dinheiro na economia mundial

Bola no pé e dinheiro na economia mundial

Copa do Mundo dividida em três países-sede movimenta economia global e impulsiona o varejo

A economia global deve receber um incremento de US$ 41 bilhōes com a Copa do Mundo de 2026, segundo estimativas do Bank of America. Com o novo formato de 48 seleções e 104 jogos distribuídos entre Estados Unidos, México e Canadá, o torneio impulsionará o Produto Interno Bruto (PIB) dos países-sede, o mercado de trabalho e o setor de turismo.
 
Em um cenário dinâmico, a Copa divide setores. De um lado, há o forte aquecimento do varejo interno e do turismo de experiência; do outro, surgem desafios logísticos e operacionais na aviação comercial global. 
 
Principais impactos financeiros do evento
 
1. Arrecadação Recorde da Fifa
Projeções apontam que a entidade organizadora deve arrecadar cerca de US$ 10,9 bilhões neste ciclo, um salto em relação aos US$ 7 bilhões gerados em 2022.
  • Direitos de Transmissão: US$ 4,2 bilhões.
  • Patrocínios: Superam a marca de US$ 2,8 bilhões.
  • Ingressos e Hospitalidade: Aproximadamente US$ 3 bilhões.
2. Impacto nas sedes (EUA, México e Canadá)
A realização de 104 jogos em 16 cidades exige ampla infraestrutura e movimenta o turismo local.
  • PIB regional: Apenas nos Estados Unidos, espera-se uma adição de US$ 17,2 bilhões.
  • Mercado de trabalho: A estimativa é de criação de mais de 820.000 novos empregos em todo o mundo, sendo mais de 180.000 apenas nos EUA.
3. Distribuição de prêmios (Fifa)
A premiação total para as 48 seleções participantes atingiu um valor recorde de US$ 871 milhões.
  • Bônus de participação: Cada seleção garante pelo menos US$ 25,5 milhões apenas em taxa de preparação e participação na fase de grupos.
  • Campeão: O vencedor leva para casa um prêmio de US$ 50 milhões.
4. Reflexos internacionais (Ex: Brasil)
Mesmo para países distantes do evento, a Copa promove um forte movimento econômico no varejo, setores de alimentos, bebidas, vestuário e apostas esportivas. 
  • Projeções da Confederação Nacional do Comércio (CNC) estimam um impacto de cerca de R$ 4,3 bilhões diretamente no comércio varejista brasileiro.
  • Com o avanço das tecnologias de apostas, brasileiros já movimentaram centenas de milhões de reais em "bets" desde o início do campeonato 
Impacto nos setores de turismo e aviação
 
O mercado de viagens vive um fenômeno de dupla face durante o torneio:
 
1. Aumento do turismo de experiência e internacional
  • Aumento na procura por voos: Companhias aéreas brasileiras criaram mais de 300 voos extras direcionados aos países-sede.
  • Destinos em alta: Buscas de brasileiros por passagens para Miami cresceram 14%, e para a Filadélfia saltaram 10%.
  • Turismo de nicho: Torcedores de maior poder aquisitivo gastam facilmente acima de R$ 20 mil por pessoa para acompanhar as partidas presenciais. 
2. Efeito negativo na aviação comercial e hotéis
  • Afastamento corporativo: Segundo a Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata), o torneio historicamente prejudica as companhias aéreas ao afastar o viajante de negócios de alto padrão.
  • Desequilíbrio de fluxo: O tráfego de passageiros flui intensamente em apenas uma direção por vez, gerando voos de retorno com baixa ocupação.
  • Inibição por preços: Os custos proibitivos de hotéis e ingressos nos EUA inflacionaram as viagens, fazendo com que o volume de torcedores internacionais ficasse abaixo das projeções iniciais mais otimistas.
3. Fortalecimento do turismo doméstico e eventos de transmissão
  • Destinos de proximidade: Quem optou por ficar no Brasil substituiu viagens longas por deslocamentos rodoviários e turismo regional.
  • Centralização em capitais: Cidades de grande porte registram ocupação elevada em bares, restaurantes e hotéis nos dias de jogos da Seleção. 
Perfil de consumo no varejo brasileiro
 
No mercado interno, a Copa funciona comercialmente como um "segundo Natal". Pesquisas da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise, indicam que cerca de 99,2 milhões de brasileiros vão às compras motivados pelo torneio, com ticket médio de R$ 619 por consumidor. 
 
Principais segmentos
 
Segmento do varejo Faturamento estimado Representatividade Principal vetor de consumo
Hiper e Supermercados R$ 3,97 bilhões 70% das vendas Alimentos, carnes para churrasco, cervejas e bebidas em geral.
Vestuário e Acessórios R$ 803,7 milhões Segundo maior setor Camisas oficiais da Seleção (demanda de 850 mil peças), roupas temáticas e adereços.
Uso Pessoal e Doméstico R$ 262,6 milhões Terceiro maior setor Artigos de decoração doméstica, copos térmicos, brindes e descartáveis.
Informática e Comunicação R$ 198,5 milhões Quarto maior setor Dispositivos móveis e equipamentos de áudio para acompanhar as transmissões.
 
Comportamento e tendências de compra
  • Preferência por lojas físicas: Cerca de 89% dos torcedores priorizam compras presenciais em supermercados e comércios de bairro para itens de consumo imediato.
  • Crescimento do Delivery: No ambiente digital, 51% utilizam aplicativos de entrega rápida de refeições e bebidas momentos antes do apito inicial.
  • Freada no setor de TVs: Apesar de uma queda média de 18,9% no preço dos televisores, a permanência de juros altos no mercado brasileiro freou a troca massiva de aparelhos nesta edição.
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