Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
21 de Setembro de 2026
Martha Imenes
O meio de pagamento instantâneo queridinho do Brasil terá novas regras para ampliar funcionalidades, aumentar a segurança das transações e aperfeiçoar a participação das instituições financeiras no sistema. Entre as principais novidades está a autorização para que o Pix Automático possa ser utilizado em contas-salário a partir de julho de 2027. O anúncio foi feito pelo Banco Central (BC).
Outra inovação é a regulamentação da chamada cobrança híbrida, que permitirá a emissão de um mesmo documento contendo boleto bancário e QR Code do Pix. A medida busca reduzir erros e evitar pagamentos em duplicidade. As novas regras para essa modalidade entrarão em vigor em fevereiro do próximo ano.
O BC também flexibilizou a obrigatoriedade de participação no Pix para determinadas instituições financeiras. Pela nova regulamentação, organizações com mais de 500 mil contas ativas poderão ser dispensadas da adesão obrigatória quando o perfil de seus clientes ou seu modelo de negócios não justificar o acesso direto à infraestrutura do sistema.
Mudanças em suspensão e exclusão de participantes
Além das novidades operacionais, o Banco Central anunciou ajustes nas regras de entrada e saída de instituições participantes do Pix. Entre as alterações estão a previsão de suspensão imediata de instituições que entrarem em processo de liquidação extrajudicial e a revisão dos prazos para a saída organizada de participantes em determinadas situações.
As mudanças afetam principalmente instituições que não conseguirem comprovar o cumprimento dos limites mínimos de capital social e patrimônio líquido exigidos pela regulamentação. Segundo o BC, os novos mecanismos facilitarão a retirada de recursos por parte dos clientes. Nesses casos, a penalidade de exclusão do sistema Pix passará a produzir efeitos imediatamente, eliminando o prazo de 30 dias que existia anteriormente.
Como evitar golpes envolvendo o Pix
Especialistas alertam que, com o crescimento do uso do Pix, aumentam também as tentativas de fraude. Por isso, recomendam atenção redobrada antes de concluir qualquer transferência.
Os comprovantes de pagamento do Pix não poderão incluir publicidade, ofertas comerciais, links externos nem qualquer conteúdo não relacionado à transação, decidiu o Banco Central (BC). A mudança foi publicada na quinta-feira (3) e faz parte de uma atualização das regras de experiência e segurança do sistema.
A nova norma começa a valer em 1º de março de 2027.
Segundo o BC, o objetivo é garantir que o comprovante tenha a função de apenas registrar e demonstrar a operação realizada. A autoridade monetária pretende reduzir o risco de que o documento seja usado para aplicar golpes. A atualização também modifica a forma como o usuário poderá contestar transações suspeitas pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED).
A partir de março de 2027, os comprovantes emitidos pelas instituições que oferecem o Pix não poderão conter:
Na prática, o documento deverá ficar restrito às informações necessárias para identificar e comprovar o pagamento. Para o BC, a retirada de links e conteúdos comerciais também diminui a possibilidade de o comprovante ser transformado em um caminho para páginas fraudulentas.
Outra parte importante da atualização envolve o MED, mecanismo usado para contestar transações do Pix relacionadas a suspeitas de fraude ou golpe.
A ferramenta está disponível nos aplicativos das instituições que oferecem o Pix desde outubro de 2025. Com as novas regras, o BC quer tornar o processo mais fácil de entender e fornecer mais informações para que os bancos possam analisar cada ocorrência.
As telas exibidas aos usuários deverão apresentar situações em linguagem mais próxima do cotidiano, permitindo que o correntista identifique com maior facilidade o tipo de golpe sofrido.
O MED também deverá permitir: explicar em detalhes o que aconteceu; contextualizar a transação contestada; anexar documentos, e anexar comprovantes que ajudem na análise.
Essas informações poderão ser utilizadas tanto pela instituição financeira da vítima quanto pelo banco ou instituição que recebeu os recursos.
O MED é destinado apenas a situações relacionadas a fraudes e golpes envolvendo o Pix. Ele não funciona como um mecanismo geral de reembolso para qualquer problema envolvendo uma compra ou transferência.
Por isso, a nova jornada do usuário deverá orientar quando o caso apresentado não se enquadrar nas regras do mecanismo.
Um exemplo de situação em que não cabe o MED é o desacordo comercial sem fraude, como:
Nessas situações, o usuário deverá procurar os canais de atendimento adequados, em vez de utilizar o MED como pedido de ressarcimento.
Apesar das mudanças na experiência de uso, as regras gerais do MED permanecem as mesmas. Ou seja, a consumidor tem até 80 dias a partir da data da transação para solicitar a devolução dos recursos em uma situação que se enquadre no mecanismo.
Depois da contestação, a instituição financeira tem até 11 dias para informar ao usuário se o pedido foi considerado procedente e sobre os próximos passos.
A devolução, porém, não é automática. Entre as condições, está a existência de recursos disponíveis na conta que recebeu o dinheiro e a aceitação da contestação pela instituição financeira do recebedor.
O Banco Central também criou novos requisitos para a função que permite salvar contatos favoritos para pagamentos. Para cumprir a exigência, as instituições financeiras deverão armazenar a chave Pix usada na transação.
Além disso, o usuário deverá receber um alerta caso seja alterada a identificação do recebedor associada à chave Pix que está salva. De acordo com o BC, a medida busca dar mais transparência ao usuário antes de novos pagamentos para contatos já cadastrados.